Concepções, práticas lectivas e reflexão dos professores de Matemática do 2.º ciclo em relação à calculadora

Palavras-chave: Matemática, Calculadora, Concepções, Práticas, Formação

Resumo

O presente estudo tem por base uma experiência de formação, visando conhecer o modo como os professores do 2.º ciclo integram as calculadoras nas suas práticas profissionais e como pode a formação contínua ajudá-los a reflectir sobre esta questão. A metodologia, de natureza qualitativa e interpretativa, envolve três estudos de caso com recolha de dados por entrevistas e observação em sessões de formação e de supervisão em sala de aula. Os resultados indicam que uma das professoras é muito favorável ao uso da calculadora, sublinhando que esse uso deve ser criterioso, e tem uma prática concordante com estas concepções. Outra professora mostra-se também favorável ao uso da calculadora, mas não o tem feito ultimamente. Finalmente, a terceira professora põe grandes reservas em relação ao seu uso, só o fazendo no final do 6.º ano, quando prepara os alunos para as provas de aferição. Os resultados mostram ainda que existe uma forte relação entre as concepções e práticas das professoras e a sua perspectiva do ensino da Matemática bem como (em dois casos) com a cultura de escola. As sessões de formação, baseadas na partilha e discussão, contribuíram para que as professoras questionassem as suas práticas, levando uma a alterá-las, ajudando outra a consolidar as concepções e práticas relativas ao uso da calculadora e suscitando dúvidas na professora que põe fortes reservas ao seu uso.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Assude, T. (2006). Mudanças e resistências na evolução do currículo de Matemática. Estudo de caso sobre as calculadoras na escola primária. In Actas do XV Encontro de Investigação em Educação Matemática (CD-ROM). Encontro de Educação Matemática da Sociedade Portuguesa de Ciências de Educação, 7–9 Maio 2006, Monte Gordo.

Ball, D. L., Hill, H. C, & Bass, H. (2005). Knowing mathematics for teaching: Who knows mathematics well enough to teach third grade, and how can we decide? American Educator, 42(2), 371–406.

Bogdan, R., & Biklen, S. K. (1994). Investigação qualitativa em educação: Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.

Ellington, A. J. (2003). A meta-analysis of the effects of calculators on students’ achievement and attitude levels in precollege mathematics classes. Journal for Research in Mathematics Education, 34(5), 433–463.

Groves, S. (1994). Calculators: A learning environment to promote number sense. Paper presented at Annual Meeting of the American Research Association, New Orleans, USA (Eric document).

Hembree, R., & Dessert, D. (1992). Research on calculators in mathematics education. Calculators in mathematics education (pp. 23–31). Reston, VA: NCTM.

Mamede, E. (2001a). A calculadora e o currículo de Matemática para o 1.º ciclo: Uma experiência de sala de aula. In I. Lopes, J. Silva & P. Figueiredo (Eds.), Actas do ProfMat 2001 (pp. 221–225). Lisboa: APM.

Mamede, E. (2001b). O papel da calculadora na resolução de problemas exploratórios: Uma experiência no 1.º ciclo. In D. Moreira, C. Lopes, I. Oliveira, J. M. Matos & L. Vicente (Eds.), Matemática e comunidades: A diversidade social no ensino-aprendizagem da Matemática (pp. 105–111). Lisboa: SEM-SPCE e IIE.

ME-DEB (2001). Currículo nacional do ensino básico: Competências essenciais. Lisboa: Ministério da Educação, Departamento da Educação Básica.

ME-DGEBS (1991). Programa de Matemática: Plano de organização do ensino aprendizagem (2.º ciclo do ensino básico). Lisboa: Ministério da Educação, Direcção Geral dos Ensinos Básico e Secundário.

ME-DGDIC (2007). Programa de Matemática do Ensino Básico. Lisboa: Ministério da Educação, Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.

MEN (2003). Utiliser les calculatrices en classe. Cycles des apprentissages fondamentaux. Cycles des approfondissements. França: Ministère Éducation National.

NCTM (2000). Principles and standards for school mathematics. Reston, VA: National Council of Teachers of Mathematics.

Ponte, J. P. (1992). Concepções dos professores de Matemática e processos de formação. In Educação Matemática. Temas de Investigação (pp. 185–239). Lisboa: IIE

Ponte, J. P. (1998). Da formação ao desenvolvimento profissional. In Actas do ProfMat 98 (pp. 27–44). Lisboa: APM.

Ponte, J. P. (2002). Investigar a nossa própria prática. In GTI (Ed.), Reflectir e investigar sobre a prática profissional (pp. 5–28). Lisboa: APM.

Ponte, J. P. (2006). Estudos de caso em educação matemática. Bolema, 25, 105–132.

Ponte, J. P., & Chapman, O. (2006). Mathematics teachers’ knowledge and practices. In A. Gutierrez & P. Boero (Eds.), Handbook of research on the psychology of mathematics education: Past, present and future (pp. 461–494). Roterdham: Sense.

Ponte, J. P., & Serrazina, L. (2004). As práticas dos professores de Matemática em Portugal. Educação e Matemática, 80, 8–12.

Ruthven, K. (1998). The use of mental, written and calculator strategies of numerical computation by upper primary pupils within a “calculator-aware” number curriculum. British Educational Research Journal, 24(1), 211–42.

Ruthven, K. (2009). Towards a calculator-aware number curriculum. Mediterranean Journal of Mathematics Education, 8(1), 111–124.

Ruthven, K., Rousham, L., & Chaplin, D. (1997). The long-term influence of a “calculator-aware” number curriculum on pupils’ mathematical attainments and attitudes in the primary phase. Research Papers in Education, 12(3), 249–281.

Schön, D. (1992). Formar professores como profi ssionais refl exivos. In A. Nóvoa (Ed.), Os professores e a sua formação (pp. 79–91). Lisboa: D. Quixote.

Serrazina, M. L. (1998). O professor e a Matemática. Caminhos para a investigação Matemática em Portugal (pp. 111–129) Mirandela: SPCE.

Serrazina, M. L., Canavarro, A. P., Guerreiro, A., Rocha, I., Portela, J., & Saramago, M. J. (2006). Programa de formação em Matemática para professores do 2º ciclo do ensino básico. (Retirado em 17 de Abril de 2008 de sitio.dgidc.min-edu.pt/matematica/Documents/Prog_Mat_2ciclo.pdf

Shuard, H. (1992). CAN: Calculator use in the primary grades in England and Wales. In J. T. Fey & C. R. Hirsch (Eds.), Calculators in mathematics education (pp. 33–45). Reston, VA: NCTM.

Smith, M. S. (2001). Practice-based professional development for teachers of mathematics. Reston, VA: NCTM.

Publicado
2009-12-30
Secção
Artigos