Applets como artefactos de mediação semiótica na formação inicial de professores na Licenciatura em Educação Básica

Autores

Palavras-chave:

mediação semiótica, applets, aprendizagem matemática, formação inicial de professores

Resumo

Assumindo que o reconhecimento do potencial de um determinado artefacto desempenha um papel fundamental na planificação de atividades que contemplem o seu uso, este artigo tem como objetivo caracterizar a prática da utilização de applets numa unidade curricular da formação inicial de professores do 1.º ciclo. O principal intuito pautou-se por se compreender em que medida a identificação por parte dos estudantes do potencial semiótico dos applets usados pode propiciar o uso eficiente destes recursos na planificação de abordagens didáticas, visando a aprendizagem matemática. A metodologia adotada é qualitativa, assente num paradigma metodológico de design research, com a participação de 20 estudantes da licenciatura em educação básica e uma investigadora. Os dados foram recolhidos tendo por base as notas de campo produzidas pela investigadora e os relatórios desenvolvidos pelos estudantes, em grupo ou individualmente. Os dados evidenciam que as atividades desenvolvidas permitiram aos futuros professores analisar o potencial semiótico de diferentes applets, identificando o conhecimento e procedimentos matemáticos produzidos com o seu uso e a influência que a abordagem metodológica e o posicionamento do professor assumem na construção desse conhecimento. Essa análise contribuiu para que os futuros professores perspetivassem as suas próprias abordagens ao uso de applets, equacionando essas duas dimensões: o potencial trazido pelo applet para a evocação do conhecimento matemático e a relevância da abordagem didática orquestrada para o seu uso.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Amado, J. (2017). Manual de investigação qualitativa em educação (3.ª ed.). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.

Andrade, A. P. S. (2014). Applets na aprendizagem matemática em situação de aulas de apoio ao estudo (Relatório Final de Mestrado). Universidade de Aveiro, Aveiro.

Bartolini Bussi, M. G. (1998). Verbal interaction in mathematics classroom: A Vygotskian analysis. In H. Steinbring, M. G. Bartolini Bussi, & A. Sierpinska (Eds.), Language and communication in mathematics classroom (pp. 65–84). Reston, VA: NCTM.

Bartolini Bussi, M. G., & Mariotti, M. A. (2008). Semiotic mediation in the mathematics classroom: Artefacts and signs after a Vygotskian perspective. In L. English, M. Bartolini Bussi, G. Jones, R. Lesh & D. Tirosh (Eds.), Handbook of international research in mathematics education, second revised edition (pp. 746-783). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum.

Bereiter, C. (2002). Design research for sustained innovation. Cognitive Studies, Bulletin of the Japanese Cognitive Science Society, 9(3), 321-327.

Bivar, A., Grosso, C., Oliveira, F., Loura, L., & Timóteo, M. C. (2013). Programa de Matemática -Ensino Básico. Lisboa: Ministério da Educação e Ciência.

Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação – Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.

Daher, W. (2009). Preservice teachers' perceptions of applets for solving mathematical problems: Need, difficulties and functions. Educational Technology & Society, 12(4), 383–395.

Drijvers, P., Doorman, M., Boon, P., Reed, H., & Gravemeijer, K. (2010). The teacher and the tool: Instrumental orchestrations in the technology-rich mathematics classroom. Educational Studies in Mathematics, 75(2), 213-234.

Drijvers, P., Kieran, C., & Mariotti, M. A. (2009). Integrating technology into mathematics education: Theoretical perspectives. In C. Hoyles & J.-B. Lagrange (Eds.), Digital technologies and mathematics teaching and learning: Rethinking the terrain (pp. 89–132). New York: Springer.

Galvão, C., Ponte, J. P., & Jonis, M. (2018). Os professores e a sua formação inicial. In C. Galvão & J. P. Ponte (Orgs.), Práticas de formação inicial de professores: Participantes e dinâmicas (pp.25-46). Lisboa: IE-UL.

Kozulin, A. (2003). Psychological tools and mediated learning. In A. Kozulin, B. Gindis, V. S. Ageyev & S. M. Miller (Eds), Vygotsky’s educational theory in cultural context (pp. 15-38). Cambridge: Cambridge University Press.

Mariotti, M. A. (2009). Artifacts and signs after a Vygotskian perspective: The role of the teacher. ZDM Mathematics Education, 41, 427-440.

Mariotti, M. A., & Maffia, A. (2018). From using artefacts to mathematical meanings: The teacher’s role in the semiotic mediation process. Didattica della Matematica. Dalle Ricerche alle Pratiche d’Aula, 3, 50-63.

Matos, J. M., & Serrazina, L. (1996). O Geoplano na sala de aula. Lisboa: APM.

Oliveira, E. (2014). A utilização das Aplicações Interativas no ensino e aprendizagem das equações do 1.º grau (Relatório Final de Mestrado). Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Monte da Caparica.

Peixoto, J., & Carvalho, R. (2011). Mediação pedagógica midiatizada pelas tecnologias? Teoria e Prática da Educação, 14(1), 31-38.

Piteira, G., & Matos, J. F. (2000). Ambientes dinâmicos de geometria como artefactos mediadores para a aprendizagem da geometria. In M. J. Saraiva, M. I. Coelho & J. M. Matos (Orgs.), Ensino e Aprendizagem da Geometria (pp. 61-72). Covilhã: SPCE-SEM.

Rabardel, P. (1995). Les hommes et les technologies – Approche cognitive des instruments contemporains. Paris: A. Colin.

Vygotsky, L. S. (1978). Mind in society. The development of higher psychological processes. Cambridge, MA: Harvard University Press.

##submission.downloads##

Publicado

2020-06-27

Como Citar

Martins, S. (2020). Applets como artefactos de mediação semiótica na formação inicial de professores na Licenciatura em Educação Básica. Quadrante, 29(1), 74-96. Obtido de https://quadrante.apm.pt/index.php/quadrante/article/view/512

Edição

Secção

Artigos