Avaliação e comunicação na aula de matemática: conceções e práticas de professores do 2.º ciclo do ensino básico

Autores

Palavras-chave:

avaliação, comunicação, 2.º ciclo do ensino básico, professores de matemática

Resumo

Este artigo apresenta como principal propósito a análise e a sistematização das conceções e das práticas de professores do 2.º ciclo do ensino básico sobre avaliação e comunicação na aula de matemática. Seguimos um design de investigação interpretativo, com uma componente de colaboração entre investigadores e professores, sustentado por questionamento e observação da prática profissional. Os resultados relativos às conceções e das práticas dos quatro professores participantes no estudo realçam que a avaliação e a comunicação se relacionam na natureza dos diferentes tipos de questões orais e na relevância dos registos escritos, na discussão em sala de aula e na interação e partilha de ideias entre os alunos e o professor. O discurso do professor restringe-se ou enfatiza-se nas principais ideias matemáticas e nos conteúdos matemáticos que pretende avaliar. As interações entre os alunos nos momentos coletivos de discussão são diminutas prevalecendo as relações bidirecionais entre os alunos e o professor. Os dados apontam para uma predominância da avaliação das aprendizagens associada à comunicação das aprendizagens, numa perspetiva de transmissão e testagem do conhecimento matemático, em prejuízo da avaliação para as aprendizagens associada à comunicação para as aprendizagens, entendidos como processos reguladores de novas aprendizagens.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Abrantes, P. (2002). Avaliação das aprendizagens no ensino básico. In P. Abrantes, & F. Araújo (Coords.) Avaliação das aprendizagens (pp. 9-15). Lisboa: Ministério da Educação e Departamento da Educação Básica.

Alrø, H., & Skovsmose, O. (2006). Diálogo e aprendizagem em educação matemática. Belo Horizonte: Autêntica.

Black, P., Harrison, C., Lee, C., Marshal, B., & Wiliam, D. (2004). Working inside the black box: Assessment for learning in the classroom. Phi Delta Kappan, 86(1), 9-21.

Black, P., & Wiliam, D. (2006). Assessment for learning in the classroom. In J. Gardner (Ed.), Assessment and learning (pp. 9-25). London: Sage.

Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora.

Chapman, O. (2009). Discourse to empower “self” in the learning of mathematics. In Proceedings of PME33 (Vol. 2, pp. 297–304). Thessaloniki, Grécia: PME.

Fernandes, D. (2019). Para um enquadramento teórico da avaliação formativa e da avaliação sumativa das aprendizagens escolares. In M. I. R. Ortigão, D. Fernandes, T. V. Pereira, & L. Santos (Orgs.), Avaliar para aprender em Portugal e no Brasil: Perspectivas teóricas, práticas e de desenvolvimento (pp. 139-164). Curitiba, Brasil: CRV.

Fernandes, D. (2015) Prefácio. In A. C. Neves, & A. L. Ferreira, Avaliar é preciso? Guia prático de avaliação para professores e formadores (pp. 13-15). Lisboa: Guerra & Paz.

Fernandes, D. (2011). Avaliar para melhorar as aprendizagens: Análise e discussão de algumas questões essenciais. In I. Fialho, & H. Salgueiro (Eds.), Turma Mais e sucesso escolar. Contributos teóricos e práticos (pp. 81-107). Évora: CIEPUE, Universidade de Évora.

Goetz, J., & LeCompte, M (1984). Ethnography and qualitative design in educational research. New York: Academic Press.

Guerreiro, A., & Martins, C. (2018). Avaliação e comunicação: Da e para a aprendizagem. Educação e Matemática, 149-150, 49-52.

Guerreiro, A., Tomás Ferreira, R., Menezes, L., & Martinho, M. H. (2015). Comunicação na sala de aula: A perspetiva do ensino exploratório da matemática. Zetetiké, 23(4), 279-295.

Guimarães, H. (2003). Conceções sobre a Matemática e a atividade matemática: Um estudo com matemáticos e professores do Ensino Básico e Secundário (Tese de Doutoramento). Universidade de Lisboa, Lisboa.

Jiménez-Espinosa, A. (2019). La dinámica de la clase de matemáticas mediada por la comunicación. Revista de Investigación, Desarrollo e Innovación, 10(1), 140-154.

Martins, C., & Guerreiro, A. (2018). Avaliação e comunicação: Convergência ou distanciamento entre perceções e práticas. In Atas do XIV Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Ciências, Culturas e Cidadanias (pp. 6–15). Coimbra, Portugal: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Mason, J. (2000). Asking mathematical questions mathematically. International Journal of Mathematical Education in Science and Technology, 31(1), 97-111.

Menezes, L., Guerreiro, A., Martinho, M. H., & Tomás Ferreira, R. A. (2013). Essay on the role of teachers’ questioning in inquiry-based mathematics teaching. Sisyphus, 1(3), 44-75.

Ministério da Educação (ME) (2017). Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. Lisboa: ME.

Neves, A. C., & Ferreira, A. L. (2015). Avaliar é preciso? Guia prático de avaliação para professores e formadores. Lisboa: Guerra & Paz.

Perrenoud, P. (1993). Avaliação: Não mexam na minha avaliação! Para uma abordagem sistémica na mudança pedagógica. In A. Estrela, & A. Nóvoa (Orgs.), Avaliações em educação: Novas perspetivas (pp. 171-191). Porto: Porto Editora.

Pires, V. M. (2017). Práticas de comunicação em sala de aula nos ciclos iniciais de ensino básico. Revista de Estúdios e Investigación en Psicología y Educación. https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.09.3026

Radford, L., & Barwell, R. (2016). Language in mathematics education research. In A. Gutiérrez, G. C. Leder, & P. Boero (Eds.), Second handbook of research on the psychology of mathematics education (pp. 275-313). Rotterdam: Sense.

Santos, L. (2016). A articulação entre a avaliação somativa e a formativa, na prática pedagógica: Uma impossibilidade ou um desafio? Ensaio, 24(92), 637-669.

Santos, L., & Pinto, J. (2018). Ensino de conteúdos escolares: A avaliação como fator estruturante. In F. Veiga (Coord.), O ensino como fator de envolvimento numa escola para todos (pp. 503-539). Lisboa: Climepsi Editores.

Santos, L., Pinto, J., Rio, F., Pinto, F., Varandas, J., Moreirinha, O., Dias, P., Dias, S., & Bondoso, T. (2010). Avaliar para aprender: Relatos de experiências de sala de aula do pré-escolar ao ensino secundário. Porto: Porto Editora.

Thompson, A. G. (1992). Teachers’ beliefs and conceptions: A synthesis of the research. In D. A. Grouws (Ed.), Handbook of research in mathematics teaching and learning (pp. 127-146). New York, NY: Macmillan.

Ulleberg, I., & Solen, I. (2018). Which questions should be asked in classroom talk in mathematics? Presentation and discussion of a questioning model. Acta Didactica Norge. https://doi.org/10.5617/adno.5607

Wahyuni, I., Aminah, N. Sukestiyarno, Y. L., & Wijayanto, A. (2020). Development of evaluation of mathematical communication capabilities based on information technology for junior high school students. Journal of Physics: Conference Series, 1470. https://doi:10.1088/1742-6596/1470/1/012048

Downloads

Publicado

2020-12-29

Como Citar

Guerreiro, A., & Martins, C. (2020). Avaliação e comunicação na aula de matemática: conceções e práticas de professores do 2.º ciclo do ensino básico. Quadrante, 29(2), 6–23. Obtido de https://quadrante.apm.pt/index.php/quadrante/article/view/525

Edição

Secção

Vol. 29, n. 2 (2020): Comunicação no ensino e aprendizagem da Matemática